sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alear


Era noite e sono não vinha,quando eu Alear às vésperas de mudar minha vida estava aflita e ansiosa. Levantei-me com cuidado, para não acordar meus pais e meu avô. Estava triste, estava alegre...

Sai para o quintal, observei as plantas que minha mãe com tanto zelo cuidava, olhei o chão que meu avô sempre varria, as três árvores frutíferas que meu pai plantou.

Fiz-me saudosista, sentei no chão sem me importar com a poeira, fechei meus olhos e fiz uma prece silenciosa. Meu coração pulsava forte, recolhi-me e finalmente adormeci.

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Alear estava a caminho do centro de Utopia.Era seu aniversário de quinze anos, como todo cidadão deveria apresentar-se...

Olhava para o cavalo a seu lado, não o havia montado ainda, ficou pensativa;

"Meus pais o deram a mim." pensou Alear.

O sol estava ameno,as árvores faziam sombra,o percurso seria tranquilo.Montou finalmente,apesar de tranquilo o percurso era longo.

Não sentia mais o tempo fluir.Tudo parecia estático...Mas isso era apenas uma ilusão...O tempo passava e ela e seu cavalo se aproximavam do Centro.

Sem fome ou sede,qualquer necessidade fisiológica sentir,prosseguiu.Até que o cavalo parou.A garota ficou confusa,o que havia acontecido?Desceu do animal para verificar e viu;

_Ah,desculpe estava tão distraída que esqueci que precisa comer..._disse Alear ao cavalo fazendo-lhe um cafuné na crina enquanto esse pastava.

Algum tempo depois prosseguiram viagem.

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Logo avistaria seu destino.Intuía que isso poderia ser perigoso, mas pressentia que seria bom.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Doce Insanidade

As coisas são assim...

O observei por anos...

Estava muito distante...

Não acreditaram que fosse real...

Eu mesma fui levada a duvidar...

Eu era uma criança...

Quando comecei a observar o céu pela noite pra ve-lo no céu...

Sabia que o observava, estrela amada...

Mas um dia cansei de te observar...

Então se revelou a mim...

Certo, não acreditei que fosse você...

Sabe por quê?

Porque você não é real estou enlouquecendo...

Doce se prova a loucura, beberei até a ultima gota desse cálice...

Anestesiará a minha dor, curará minha abstinência...

Abstinência da ilusão que uma garotinha ergueu quando tinha três anos...

Por Bruna Rodrigues dos Anjos



terça-feira, 17 de novembro de 2009

Presença


Quem é você?

Que abraça a solidão...

E se defende com um escudo de ironias...

Por quê?

Em seu rosto uma serenidade impar.

Eu o vejo como O PRINCIPE GUERREIRO...

O mais sagaz e impetuoso

Mas tem receio de revelar,sua alma detentora da grandeza de um menino...

E como um anjo que a noite observa...

Esperando a aurora para novamente me sondar...


Sinto sua presença...

Mas sei que não esta aqui...

Como vê minha alma?

Vejo que me observa, mesmo quando estou sozinha...

Sinto sua nobre e pura presença...

E um eterno abraço.

PRESENÇA por BRUNA RODRIGUES DOS ANJOS

domingo, 15 de novembro de 2009

Estava em meu quarto, deitada de bruços em minha cama, uma vela já estava acesa sobre o criado, nossos quartos não eram luxuosos, tinham apenas o necessário. A final, esse é um templo, aqui não há lugar para soberba, pena que algumas não percebem isso...

Levanto-me e olho a meu redor, estava em minha cama forrada por lençóis brancos, ainda era dia, mas logo o sol se poria, eu amava ver o sol se por. Fui logo para a janela, sentei-me e olhei o céu que já começava a tingir-se das mais belas cores, era o véu sagrado de aurora, sempre ao fim da tarde e início do dia. Uma imensa alegria preenchia todo meu ser ao contemplar essa cena que para mim é divinal, hoje em especial, pois seria lua cheia... Nessas ocasiões eu fico diferente, não sei explicar o porque mas fico.

Dirigi-me até as frutas que estavam sobre um móvel, comi uma pêra e algumas uvas. Quebrei o jejum, agora estava pronta para descansar segundo as normas deveríamos dormir cedo, mas isso eu nunca fazia em noites de luar. Ouvi a bela voz que sempre conversava comigo nessas noites. Nunca antes revelou-me quem era, mas eu sabia ser uma voz feminina.

_Dulce?!_disse a voz angelical, ela sempre me chamava assim.

_Sim...

_Sabe o quanto confio em você?

_Creio que não compreenda muito, desculpe-me._disse triste, não compreendia mesmo o por que de falar comigo, eu era o exato oposto em minha origem do que se esperava para uma futura sacerdotisa.

Ela sorriu, eu podia sentir, aquele quarto era escuro, eu sentia sua presença mas não a veria se ela não quisesse.

_Minha menina guerreira, não se preocupe, quero pedir que deixe sua intuição guiá-la, é muito jovem ainda... Porém peço que o faça...Saia desse quarto quando não tiver mais alma viva acordada. Saberá o que fazer, confio em você._disse a voz e não mais senti sua presença, obedeceria apenas isso, apesar de não fazer ideia do que ela queria de mim.

Sai do meu quarto quando todas as presenças enfraqueceram pelo sono. Não estava cansada, mas sentia-me estranha saindo do quarto, fechei os olhos por instinto. Depois disso fui andando numa direção estranha, apenas o luar iluminava o meu caminho. Andei pelos corredores sem medo de ser pega aquele horário, ali a disciplina era lei. Se fosse vista fora do meu quarto ai de mim.

Não sabia há quanto tempo estava caminhando, mas fazia um bom tempo, estava num lugar desconhecido para mim no templo, mas continuei, nem saberia voltar... Fechei novamente meu olhos tomando coragem, subi escadas, desci escadas e subi de novo, nem eu tinha noção do quanto era grande o templo. Até que me vi diante de uma porta de madeira de lei, pude sentir uma presença do outro lado, ouvi também alguns soluços, mas essa altura eu desconfiava do que ouvia... Poderia ser apenas a tristeza de alguém que eu escutava, não necessariamente a pessoa estaria chorando a ponto de soluçar.

Toquei porta com delicadeza e receio, senti que a pessoa hesitava, parou de soluçar, e veio a até a porta, mas quem seria? Seja quem for, a voz que falava comigo achava que eu precisava conhecê-la.

_Quem é você?_perguntou a voz embargada, era uma garotinha. Não pude a idade dela, mas sabia que menininha._Responda logo sei que está aí._disse ela decida e com voz ainda embargada.

_Desculpe..._sussurrei para ela._Sou Dulce, ou Evelyn...

_O que está fazendo aqui?_perguntou curiosa a voz estava voltando ao normal.

_Disseram para mim que eu deveria sair do meu quarto, mas eu não sei porque.

_...

_Apenas vim, acredita que nem sei direito como voltar?!_disse eu.Pude ouvir uma pequena gargalhada do outro lado._a dona daquela voz tinha uma presença diferente. Sabia que ela possuía um poder grande, talvez por isso a colocaram ali tão longe de nós. Mas era mais que isso, muitas ali tinha o poder assustador na minha opinião. Alguma coisa nela a fazia diferente, a voz queria que eu a encontrasse, mas por que eu?Sempre eu..._Há quanto tempo está aqui?_perguntei acanhada.

_..._ela ficou em silêncio pensei tê-la ofendido ou algo assim._Nem eu sei._disse a voz. Naquele momento senti uma presença atrás de mim._Evelyn vá embora!_disse ela, também havia sentido a presença.

_Eu vou mas volto._disse eu.

Aquele dia fui pega e tive que passar uma semana na solitária, que para minha sorte era ao lado do quarto da menina que eu não sabia o nome...

O quarto era escuro, pouco arejado, nada agradável, mas não me atrevi a reclamar, eu conversava com a garota que agora eu sabia chamava-se Izabelly. Iza ficou presa a vida toda pelo que percebi, as vezes poderes não são uma bênção... Aprendi muito com Iza. Contei a ela sobre a tribo. Ela parecia fascinada com tudo que se passava fora daquelas paredes. Parta era um privilégio contar a alguém, mas alguém como ela parecia ainda melhor, apesar de me trazer lembranças...

No terceiro dia, eu achei um modo de passar para o quarto de Iza, era complicado mas dava para passar por ali. Era uma fenda grande, mas não dava para Iza passar por ali. Fugir dali era impossível, ainda mais para ela que tinha a tutora ali sempre, eu ficava muda ela estava ali, tinha uma presença calma... Eu passava um tempo com ela e voltava pro meu quarto, nem fazia ideia de como ela era, mas sabia agora que nossa diferença de idade era de dias.

Terminada a semana eu pude voltar. Mas sempre que possível ia visitar Iza. Minha rotina seguia-se eu tinha agora 8 anos e meio. Outra noite lua cheia veio, ouvi novamente aquela voz angelical;

_Dulce, quero que venha comigo._disse a doce voz angelical, senti alguém pegar em minha mão._Confie em mim.

_Sempre confiei.

Entrei em uma espécie de transe sabia que estava andando e tudo mas quem guiava a direção era a mão que segurava a minha. Quando dei por mim estava fora do santuário e em uma clareira banhada pelo luar...

Estava deitada, fitava o céu, estava límpido com poucas nuvens, observava apenas, aquilo de alguma forma deixava-me tranquila, as anciãs dizem que sou precoce, nem sei direito o que isso significa... Ouço minhas irmãs brincando e treinando, todas anseiam honra e glória, por algum motivo desde que aprendemos a andar esse desejo parece preencher cada canto da mente infantil das crianças de nossa tribo ou vila como alguns chamam.

Uma brisa suave faz desmanchar os delicados dentes de leão, nunca entendi como uma flor tão frágil tem esse nome, não tem lógica. De todo modo aquele era um intervalo entre os treinos, já estava acabando meu tempo, que vida, enquanto as meninas do povoado brincam e se divertem o dia todo praticamente, eu com meus 4 anos e meio tenho que treinar 8 horas por dia. Levantei-me com preguiça, olhei a minha volta, Dalila estava a meu lado de pé, era uma mulher alta de cabelos negros olhos cor de mel, admirável, ela era responsável por parte da minha educação e de mais algumas meninas.

Depois daquele intervalo passei a tarde estudando filosofia e a arte da guerra, as vezes parece-me estranho olhar todas essas meninas e imaginar que daqui uns 10 anos seremos consideradas guerreiras de respeito, quando olho para Lia com seus olhos meigos e gentis essa realidade parece ainda mais distante e improvável que antes. Parece-me impossível nos ver em tal situação a arriscar nossas vidas e ceifar outras, mas somos treinadas para isso.

Muitos talentos se levantam a cada dia, algumas são mais promissoras que outras, como por exemplo Kelly, ela é um ano mais velha que eu, é considerada uma promessa no que diz respeito à sobre vivência, ninguém suporta privações melhor que ela, sim aos cinco somos obrigadas a passar por coisas que pessoas adultas temeriam um dia passar, mas sabemos que isso tudo só ocorre para o nosso bem, nunca nos queixamos, não na frente de nossas monitoras, pois pode ser perigoso.

Eu amava ficar sozinha a observar o céu, todas sabiam disso, algumas usavam o tempo livre para brincar mas eu ficava olhando o céu, às vezes minha prima ficava ali comigo em silêncio. A serenidade tomava conta de nossas almas, era reconfortante permanecer assim.

Ouvia minhas tias a dizer a minha mãe que eu era mimada, mas sabia que não era verdade, não havia distinção entre minhas primas e eu, somos tratadas de igual maneira, na verdade se compararmos minha mãe é duas vezes mais rígida que as minhas tias, mas elas não enxergam isso, no futuro talvez percebam o engano em suas ações, mas não devo preocupar-me com tão pouco, sou uma menina ainda, apesar de ser diferente de minhas “irmãs” sim pois todas somos irmãs.

Estávamos reunidas no final da tarde, contemplávamos o sol a se por quando Helen veio até nós, minhas irmãs a olhavam admiradas, ela era uma bela mulher, alta com pele clara e cabelos cor de mel, olhos verdes e aparência delicada porém com uma presença imponente, todas queriam saber o que aquela mulher fabulosa fazia meio a nós. Até que Helen pronunciou-se;

_Evelyn?!Táfnes deseja falar contigo._Meu coração falhou, ela havia mesmo pronunciado meu nome? Sim havia, eu temia o que isso pudesse significar.

Levantei-me apressada, não gostaria de ser tida como as mais velhas chamam mesmo?Ah, sim indisciplinada. Estava frente as sólida construção onde encontraria Táfnes, parei um momento para contemplar o lugar, aquelas colunas pareciam ser inabaláveis, nem o maior terremoto poderia derrubá-las, estava certa disso. Alguns degraus a entrada e uma pesada porta de madeira de lei, de cor ébano, muito antiga e pesada, não fosse Helen a abrir a porta eu certamente teria ficado do lado de fora...

Adentrei o recinto temerosa, do que ali poderia eu encontrar, porém a serenidade atípica a minha idade nessas horas não me faltava. Agora eu podia sentir o aroma do incenso ali queimado, era o típico incenso de purificação e o incenso de lavanda, Táfnes queria falar comigo, eu estava ansiosa mas em minha aparência nada evidenciava isso.

Meus olhos se arregalaram tamanha era minha surpresa, aquela não era a primeira vez em que via Táfnes, muito menos a última, nem sempre ela estava assim vestida com a pompa de uma rainha. Sim, ela era uma rainha, admirava profundamente e amava, como deve ser, afinal sou sua filha, o que de maneira nenhuma quer dizer que eu vá ser rainha, muito pelo contrário de mim é exigido o triplo de qualificação para tal, minha mãe era filha de uma guerreira da elite, não de uma rainha. Os cabelos castanho claro de minha mãe caiam até sua cintura bem delineada. Uma túnica verde presa a sua cintura por uma faixa prateada, sandálias de igual cor e acessórios de prata. Pois ela não era chegada a ostentação, eu não encarei seus olhos, pois ali estava minha rainha e não minha mãe, eu era sua súdita e nada mais, ética acima de tudo.

Quando Táfnes deu a ordem a Helen essa retirou-se contrariada, tenho que admitir ela gosta muito da minha mãe, ou seria do status dela? Agora eu me arriscava a olhar o rosto de minha rainha, estava enevoado, parecia que aquele era um dia ruim para ela, não sabia determinar por que, mas eu gostaria muito de vê-la sorrir, pelo visto isso seria impossível hoje.

_Evelyn, tenho uma notícia para você. A anciã faleceu._disse num tom voz baixo, provavelmente ela deva ter esforçado-se muito para não chorar, a anciã em questão era a mãe dela, minha avó. Não estava triste por minha avó, na verdade estava mais triste por minha mãe, pois a vovó havia partido e não tinha consciência do que se passa nesse mundo, descansava com Hera, pois ela servia a essa deusa, eu nunca entendi por que, nunca simpatizei com essa imortal. Mas não vem ao caso, minha mãe estava abalada, tenho certeza que ela desabou a muito tempo, ali estava apenas seu corpo de pé, pois uma garotinha chorava por dentro, mas deveria impor-se como mulher, estava desempenhando bem esse papel, continuaria a fazê-lo. Orgulhava-me demais de ter nascido desse útero.