domingo, 15 de novembro de 2009

Estava em meu quarto, deitada de bruços em minha cama, uma vela já estava acesa sobre o criado, nossos quartos não eram luxuosos, tinham apenas o necessário. A final, esse é um templo, aqui não há lugar para soberba, pena que algumas não percebem isso...

Levanto-me e olho a meu redor, estava em minha cama forrada por lençóis brancos, ainda era dia, mas logo o sol se poria, eu amava ver o sol se por. Fui logo para a janela, sentei-me e olhei o céu que já começava a tingir-se das mais belas cores, era o véu sagrado de aurora, sempre ao fim da tarde e início do dia. Uma imensa alegria preenchia todo meu ser ao contemplar essa cena que para mim é divinal, hoje em especial, pois seria lua cheia... Nessas ocasiões eu fico diferente, não sei explicar o porque mas fico.

Dirigi-me até as frutas que estavam sobre um móvel, comi uma pêra e algumas uvas. Quebrei o jejum, agora estava pronta para descansar segundo as normas deveríamos dormir cedo, mas isso eu nunca fazia em noites de luar. Ouvi a bela voz que sempre conversava comigo nessas noites. Nunca antes revelou-me quem era, mas eu sabia ser uma voz feminina.

_Dulce?!_disse a voz angelical, ela sempre me chamava assim.

_Sim...

_Sabe o quanto confio em você?

_Creio que não compreenda muito, desculpe-me._disse triste, não compreendia mesmo o por que de falar comigo, eu era o exato oposto em minha origem do que se esperava para uma futura sacerdotisa.

Ela sorriu, eu podia sentir, aquele quarto era escuro, eu sentia sua presença mas não a veria se ela não quisesse.

_Minha menina guerreira, não se preocupe, quero pedir que deixe sua intuição guiá-la, é muito jovem ainda... Porém peço que o faça...Saia desse quarto quando não tiver mais alma viva acordada. Saberá o que fazer, confio em você._disse a voz e não mais senti sua presença, obedeceria apenas isso, apesar de não fazer ideia do que ela queria de mim.

Sai do meu quarto quando todas as presenças enfraqueceram pelo sono. Não estava cansada, mas sentia-me estranha saindo do quarto, fechei os olhos por instinto. Depois disso fui andando numa direção estranha, apenas o luar iluminava o meu caminho. Andei pelos corredores sem medo de ser pega aquele horário, ali a disciplina era lei. Se fosse vista fora do meu quarto ai de mim.

Não sabia há quanto tempo estava caminhando, mas fazia um bom tempo, estava num lugar desconhecido para mim no templo, mas continuei, nem saberia voltar... Fechei novamente meu olhos tomando coragem, subi escadas, desci escadas e subi de novo, nem eu tinha noção do quanto era grande o templo. Até que me vi diante de uma porta de madeira de lei, pude sentir uma presença do outro lado, ouvi também alguns soluços, mas essa altura eu desconfiava do que ouvia... Poderia ser apenas a tristeza de alguém que eu escutava, não necessariamente a pessoa estaria chorando a ponto de soluçar.

Toquei porta com delicadeza e receio, senti que a pessoa hesitava, parou de soluçar, e veio a até a porta, mas quem seria? Seja quem for, a voz que falava comigo achava que eu precisava conhecê-la.

_Quem é você?_perguntou a voz embargada, era uma garotinha. Não pude a idade dela, mas sabia que menininha._Responda logo sei que está aí._disse ela decida e com voz ainda embargada.

_Desculpe..._sussurrei para ela._Sou Dulce, ou Evelyn...

_O que está fazendo aqui?_perguntou curiosa a voz estava voltando ao normal.

_Disseram para mim que eu deveria sair do meu quarto, mas eu não sei porque.

_...

_Apenas vim, acredita que nem sei direito como voltar?!_disse eu.Pude ouvir uma pequena gargalhada do outro lado._a dona daquela voz tinha uma presença diferente. Sabia que ela possuía um poder grande, talvez por isso a colocaram ali tão longe de nós. Mas era mais que isso, muitas ali tinha o poder assustador na minha opinião. Alguma coisa nela a fazia diferente, a voz queria que eu a encontrasse, mas por que eu?Sempre eu..._Há quanto tempo está aqui?_perguntei acanhada.

_..._ela ficou em silêncio pensei tê-la ofendido ou algo assim._Nem eu sei._disse a voz. Naquele momento senti uma presença atrás de mim._Evelyn vá embora!_disse ela, também havia sentido a presença.

_Eu vou mas volto._disse eu.

Aquele dia fui pega e tive que passar uma semana na solitária, que para minha sorte era ao lado do quarto da menina que eu não sabia o nome...

O quarto era escuro, pouco arejado, nada agradável, mas não me atrevi a reclamar, eu conversava com a garota que agora eu sabia chamava-se Izabelly. Iza ficou presa a vida toda pelo que percebi, as vezes poderes não são uma bênção... Aprendi muito com Iza. Contei a ela sobre a tribo. Ela parecia fascinada com tudo que se passava fora daquelas paredes. Parta era um privilégio contar a alguém, mas alguém como ela parecia ainda melhor, apesar de me trazer lembranças...

No terceiro dia, eu achei um modo de passar para o quarto de Iza, era complicado mas dava para passar por ali. Era uma fenda grande, mas não dava para Iza passar por ali. Fugir dali era impossível, ainda mais para ela que tinha a tutora ali sempre, eu ficava muda ela estava ali, tinha uma presença calma... Eu passava um tempo com ela e voltava pro meu quarto, nem fazia ideia de como ela era, mas sabia agora que nossa diferença de idade era de dias.

Terminada a semana eu pude voltar. Mas sempre que possível ia visitar Iza. Minha rotina seguia-se eu tinha agora 8 anos e meio. Outra noite lua cheia veio, ouvi novamente aquela voz angelical;

_Dulce, quero que venha comigo._disse a doce voz angelical, senti alguém pegar em minha mão._Confie em mim.

_Sempre confiei.

Entrei em uma espécie de transe sabia que estava andando e tudo mas quem guiava a direção era a mão que segurava a minha. Quando dei por mim estava fora do santuário e em uma clareira banhada pelo luar...

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